
Pra quem não sabe sou guitarrista e violonista há 27 anos. Dou aulas de música há 22 e toco profissionalmente há 23 anos.
Comecei nos anos 80, onde só tínhamos (quase) a opção de comprar cordas nacionais, que eram, naquela época, de qualidade duvidosa. Cordas importadas eram raríssimas de aparecer e sempre a preços exorbitantes. E às vezes só na capital…
Depois da era Collor tudo ficou mais fácil. As importações abriram, os escravos chineses entraram em ação. Com FHC, e o dólar pareado então virou um desbunde.
Pois bem, no novo milênio existia todo um arsenal de ofertas. As indústrias nacionais sentiram rapidamente a água bater nos glúteos e começaram a fabricar coisas melhores.
Sempre preferi pagar um pouco mais pelos produtos importados (cordas, polidores, afinadores, etc..) porque realmente tem mais qualidade. Um X-Salada a menos por mês e você deixava o seu instrumento mais jeitoso. Valia à pena.
Ultimamente com essa tão propalada crise (mais de olhos azuis e cútis branca) as coisas pioraram. As nossas queridas importadoras jogaram o preço nas alturas (e ainda não entendi porque) e também deixaram de entregar os produtos. O mercado ficou vazio e caro. Há duas semanas fui a uma das melhores lojas de Campinas comprar cordas importadas para mim e meus alunos e saí de mãos abanando. Não achei nada que queria.
A gota d’água da história foi essa semana quando fui comprar um polidor de guitarras marca Fender, do qual gosto bastante, e encontrei-o, com o preço médio nas lojas daqui de Piracicaba, a R$ 33,00 (!). Estupefato, fui dar uma pesquisada na Web, nas lojas on-line e encontrei, em média, por 25 reais, mais o frete básico de R$ 8,50. Em suma tudo na mesma. Nos sites dos EUA, onde o produto é fabricado, a média varia entre 3 a 6 dólares
A mesma coisa acontece com cordas e outros acessórios: aparecem, desaparecem, aparecem de novo a preço de ouro. Um grande circo. Quero deixar claro que NÃO ESTOU CRITICANDO OS DONOS DE LOJAS DE INSTRUMENTOS MUSICAIS, mas as importadoras de instrumentos musicais do Brasil.
Dos donos de loja tenho até pena, quando os questiono sobre alguns produtos e vejo as caras de desilusão dizendo que o “vendedor da importadora vai passar na semana que vem…” Me lembra aquelas histórias de mascates que meu avô Pedrasse contava sobre os caixeiros-viajantes que vinham de “meis em meis da capitar trazê perfume a preço oro”. Patifaria.
Da minha parte, de hoje em diante estou migrando para os produtos nacionais. Que se danem as importadoras. Como disse meu amigo Rosalvo: “Se isso fosse na França esses caras quebrariam em um mês, a moçada iria para de comprar deles na hora”.
Quanto à qualidade, os produtos nacionais melhoraram bastante. E. o mais importante: não é isso que faz a diferença na hora de quem realmente sabe fazer o som. Toca aí!
É elucidativa a história do Paul MacCartney, que no começo dos anos 60 foi comprar um baixo para tocar nos Beatles. Ele queria um Fender Jazz Bass (o melhor e mais caro baixo da época), mas quando chegou à loja viu que sua grana só dava pra comprar o baratinho Hofner alemão. Resultado: os quatro primeiros discos do Beatles foram gravados somente com esse baixo (também usado nos outros), o instrumento virou um clássico e o Paul o usa até hoje nas turnês. A orquídea que nasce da lama…
Só pra terminar uma continha manhosa sobre a foto acima. O frasco do Fender Polish tem 118 ml. Num preço médio de 33 reais temos o litro do produto a R$ 279,00, quase o preço de uma garrafa Granato Vigneti delle Dolomiti Rosso I.G.T. 2002, um vinho italiano, só para a diretoria…
Ainda bem que tem uma diferença visual (tambem) pra nao correr o risco de dar umas goladas no polish e passar o italiano da diretoria na Fender hein…
Dú, estou embasbacado com a sua esclarecedora comparação. Bola preta nos caras!
Mas a coisa não dá mesmo para entender. A situação tá difícil, o pessoal cortando despesas e os caras ainda não acordaram. Se nos EUA o polidor custa entre 3 e 6 dólas, então, aqui a coisa vai para mais ou menos 3 vezes o preço lá (300%). Não dá para por a culpa toda nos impostos e encargos da importação, né?
Toca aí!
Super abraços.
É Luís….
Até me inspirei nos teus comentários e vou abrir uma página neste blog sobre produtos nacionais.
Conto com a tua colaboração nas avaliações.
Saudades e abraços
Pode contar.
Saudosos abraços.
Vamos beber o vinho e fazer um som naquele violãozinho da gianini, todo decascado, com cordas nacionais. Rola bem melhor!